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O custo do benefício: equipado ou básico? E-mail
Escrito por Carro online   

Veículos 1.0 são a alternativa mais comum para quem deseja se tornar independente do transporte público e partir para o mundo do carro particular. Mas o consumidor atual é exigente. Por mais que esteja disposto a investir capital em seu primeiro automóvel, faz questão que ele seja econômico – o que justifica a escolha de um modelo com propulsor de baixa cilindrada -, e, ao mesmo tempo, ofereça alguns "luxos", além de tecnologia e conforto.


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Na hora de comprar um carro zero quilômetro, portanto, o futuro proprietário busca todos os itens que lhe sejam convenientes e caibam no seu orçamento. São escolhidos na lista de opcionais componentes como alarme, trio elétrico, sistema de som, direção hidráulica, ar-condicionado e até mesmo freios ABS e airbag, entre outros itens que tornarão a vida mais confortável e segura. Perfeito, correto? A princípio sim. Mas o fato é que originalmente os propulsores 1.0 foram desenvolvidos para transportar uma carroceria leve – leia-se “sem luxos” - para que seus ocupantes se locomovam do ponto A ao B sem gastar muito, característica é um argumento nesta categoria.  

 

Equipar um veículo com opcionais geram incontestáveis melhorias para o conforto, mas também tem seu lado negativo. Além de aumentar o peso do automóvel, componentes como direção hidráulica e ar-condicionado também são responsáveis por diminuir a potência do motor, uma vez que o aumento no número de correias ligadas ao bloco sacrifica sua eficiência. Quanto mais itens eletrônicos um modelo possuir, maior também será a demanda de energia elétrica e, consequentemente, mais potente terá que ser o alternador  (componente que gera energia). Esta peça de maior capacidade também demanda maior esforço do propulsor para girá-la, o que consome mais potência e combustível do sistema. Ao menos em tese, portanto, um veiculo completo deverá consumir mais combustível e apresentar desempenho inferior que sua configuração básica.

Para descobrimos na prática se a teoria é válida, avaliamos dois Volkswagen Gol, sendo um básico (R$ 30.880), na cor vermelha, que pesa 934 kg, e o outro, munido de toda a lista de opcionais da VW (R$ 44.240), prata, registrando 1.024 kg na balança. De acordo com a marca, os dois contam com 76 cavalos de potência e 10,6 kgfm de torque quando abastecidos com álcool. Nosso objetivo foi apenas um: testá-los e verificar se encontraríamos alguma diferença de desempenho entre os dois.

 

Consumo

 

O primeiro indício da discrepância de rendimento entre os modelos foi encontrado na hora de reabastecer. Trafegando em circunstâncias iguais, o Gol completo registrou consumo médio de 7,5 km/l de etanol em ciclo urbano, enquanto a configuração básica do hatch foi mais contida com o combustível e percorreu 8,1 km/l. Uma diferença de 7,4% a favor do Gol popular. Já em rodovias, a diferença na sede de álcool das duas versões diminuiu para 2,48%: enquanto o “pé de boi” rodou 12,4 km com um litro de etanol, o completo percorreu 12,1 km com a mesma quantidade de combustível.

Averiguada a diferença que afeta o bolso do motorista, partimos para a pista de testes afim de descobrir se existem divergências de desempenho entre as versões.

 

Configurações distintas, desempenhos diferentes:

 

Os dois Gol arrancaram emparelhados no campo de provas e, antes mesmo da segunda marcha ser selecionada, surgiu uma desigualdade: o veículo mais leve ganhou a frente e começou a se distanciar progressivamente da versão completa. A 2ª marcha foi selecionada e na sequência a 3ª, quando o modelo de R$ 30.880 já se encontra a mais de 10 metros na frente de seu irmão luxuoso. Em 14s7, após percorrer 262,73 metros, os 100 km/h são atingidos pelo automóvel vermelho em nossas fotos. Exatamente 1s9 e 36,73 metros depois, o hatch na cor prata atinge a velocidade em questão.

 

Uma avaliação após a outra tornou inquestionável a discrepância entre o rendimento dos veículos. Além da melhor aceleração e consumo de combustível, o Gol vermelho demonstrou mais disposição para recuperar velocidade, como na prova de retomada de 60 km/h a 120 km/h em 4ª marcha, situação em que a versão básica necessitou de 23,4s para retomar o fôlego, 3s0 a menos que o completo. O comportamento na pista de testes refletiu em números reais o que pôde ser averiguado no dia a dia com os veículos nas ruas. Com menor desempenho, o modelo completo necessitou de maior pressão no pedal do acelerador e giro mais alto do motor para oferecer agilidade em ultrapassagens, se comparado ao modelo básico.

 

Em um teste de aceleração de 0 a 120 km/h, por exemplo, além de ter necessitado de 26s0 para atingir a velocidade, o Gol prata rodou 588,1 metros antes de atingir a meta, enquanto o básico necessitou de 3s0 e 71 metros a menos.

 

Porém, o veículo equipado com toda a lista de opcionais da VW deu a volta por cima e esbanjou segurança no teste de frenagem. Com o pacote que inclui freios ABS e duplo airbag, o modelo necessitou de 58,1 metros para estancar vindo de 120 km/h, enquanto o Gol básico percorreu 75,5 metros antes de atingir a imobilidade, no mesmo teste. Além de utilizar um espaço 23,5% maior para frear, o veículo básico apresenta maior risco de perda do controle em frenagens de emergência, uma vez que as rodas podem se travar e retirá-lo de sua trajetória, dependendo da reação do motorista ou das condições do pavimento. Em piso molhado, a discrepância seria ainda maior.

 

Vale ou não vale?

O consumidor deve aproveitar seu dinheiro e comprar um veículo cujo motor e opcionais se atendam seus anseios e condições. Nada mais justo, afinal, o capital foi acumulado com o suor que escorreu de seu rosto. É necessário avaliar se vale a pena abrir mão do conforto que uma direção hidráulica e ar-condicionado promovem para rodar 0,6 km a mais com um litro de combustível na cidade e 0,3 km em rodovia. Faz sentido? Cabe a cada um responder por si.

 

Mas é importante ter em mente que especialmente em motores 1.0, cujo rendimento é mais limitado, a adição de componentes compromete o desempenho do automóvel, que demandará mais espaço e cuidado na hora de realizar ultrapassagens, especialmente em estradas. A diferença na distância percorrida e no tempo necessário para acelerar, encontradas nos testes entre as versões, pode ser a necessária para evitar um acidente.

 

O sistema de freios ABS provou sua utilidade no resultado do teste de frenagem. Se dissolvido em um financiamento de 10% de entrada e 48 parcelas, o componente, que pode evitar desde pequenas dores de cabeça a até uma tragédia, custará apenas R$ 130 a mais em cada mensalidade se comparado um gol básico, que sai por R$ 851,21 mensais no mesmo programa. No caso do Gol, o valor adicional também inclui direção hidráulica e abertura interna do porta-malas, uma vez que estes componentes estão atrelados nos pacotes de opcionais. De todos os sistemas que um automóvel pode receber, este, comprovadamente, é um dos mais merecedores de seu investimento.


Fonte carroonline.terra.com.br

 
Assunto:

autos o custo do beneficio equipado ou basico

Tema:

Equipado, básico, comparativo, carro, custo, benefício

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