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Home Brasil Com chuvas e dique rompido, número de pessoas fora de casa aumenta em 10 mil no Rio
Com chuvas e dique rompido, número de pessoas fora de casa aumenta em 10 mil no Rio E-mail
Escrito por BOL   
 O rompimento de um dique na cidade de Campos de Goytacazes, no norte do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (5), fez subir o número de pessoas fora de casa nas regiões norte e nordeste do Estado --as mais afetadas pelas chuvas. Outras cidades também registraram aumento no número de pessoas afetadas.

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De acordo com o novo boletim divulgado pelo governo do Rio, já são mais de 34 mil pessoas desalojadas (na casa de parentes ou amigos) e desabrigadas (em abrigos públicos) na região. Ontem, esse número era de cerca de 24 mil.
 
 
Continuam em situação de emergência seis municípios: Laje do Muriaé, Santo Antônio de Pádua, Itaperuna, Italva, Cardoso Moreira e Miracema. Campos de Goytacazes ainda não decretou o estado de emergência.
Na cidade de Itaperuna, os desalojados subiram de 5.000 para 7.000 e os desabrigados, que eram 60, chegam a 120. Em Italva, o número de desalojados aumentou: de 500 ontem para 6.000 hoje; os desabrigados continuam sendo 90.
Aumentam o número de afetados as cidade de Campos de Goytacazes --que tem cerca de 3.000 desalojados e 592 pessoas desabrigadas-- e São Fidélis, com 283 desalojados e 52, desabrigados. As duas cidades foram incluídas na lista hoje.
Santo Antônio de Pádua, que tinha 12 mil desalojados e 1.200 desabrigados ontem, registra hoje o mesmo número de desalojados, mas contabiliza 300 desabrigados. Já em Laje de Muriaé, os números são os mesmos: 2.500 desalojados e 100 desabrigados --a cidade contabiliza um morto.
No município de Aperibé, a situação melhorou: eram 1.800 desalojados e 60 desabrigados ontem, e agora são 600 desalojados e apenas nove desabrigados. Cambuci continua com 310 desalojados e 80 desabrigados.
Em Cardoso Moreira, que tem 90% de sua área alagada, segundo o secretário municipal de Defesa Civil, Juarez Noé, os números continuam parecidos com os de ontem: são 1.235  pessoas desalojadas e outras 619, desabrigadas.
 
 
 
Rompimento de dique
As águas do rio Muriaé que vazaram após o rompimento do dique em Campos começam a atingir a localidade de Três Vendas, na zona rural da cidade, no final da tarde de quinta-feira (5) e já alagam casas. A força da água, entretanto, não é tão forte quanto a estimada pela Defesa Civil. Cerca de 4.000 moradores da área, que deve ser totalmente alagada, estão sendo retirados e o local está isolado.
 
 
"A água do rio está começando a invadir as casas, mas algumas pessoas ficaram em suas residências com medo de serem roubadas. A grande maioria saiu, vamos abrigar quantas forem necessárias, não tem falta de vaga, famílias estão em barracas, em creches e escolas próximas, mas em locais seguro", disse o secretário de Defesa Civil municipal, Henrique Oliveira.
A previsão da Defesa Civil é que o local alagado vire uma piscina por três ou quatro meses. Durante esse tempo a população deverá ficar em abrigos. "Depois que o rio baixar, a água em Três Vendas terá que ser bombeada: ela é mais baixa que o nível do rio, fica dentro de uma depressão, não podemos fazer esse serviço antes do final de fevereiro, temos que esperar a chuvas de verão parar. A previsão é de muita chuva até fevereiro, só depois conseguiremos bombear essa água", explicou Oliveira.
O dique fica na rodovia BR-356, que foi destruída pelas águas, interrompendo o tráfego de veículos. O rompimento abriu uma cratera de 20 metros na rodovia. O ponto onde houve o rompimento foi o mesmo trecho que foi rompido com as chuvas de 2009. Na época, o local foi manilhado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), mas não impediu nova destruição.
Os moradores estão sendo levados para acampamentos e abrigos. Cerca de 250 barracas, com capacidade para seis pessoas cada uma, foram montadas pela Defesa Civil do Estado em uma parte alta da região. As famílias também são levadas à escola municipal Albertina Venâncio e ao CIEP (Centro Integrado de Educação Pública) Travessão, que ficam em pontos mais altos em localidades próximas.
Segundo o secretário de Obras da cidade, Edilson Peixoto, os cerca de 4.000 moradores da localidade devem ser transferidos para abrigos até o final desta quinta-feira. Ele disse ainda que a prefeitura trabalha para fazer na estrada vicinal transversal à BR-356 um dique de contenção, com pedras e terra, para desviar o fluxo do rio Muriaé.
 
 
Segundo a prefeitura, 20 caminhões estão sendo utilizados para a mudança das pessoas. Cerca de 200 homens do Exército, Defesa Civil Municipal e Estadual e do Corpo de Bombeiros estão envolvidos na operação. A Secretaria de Serviços Públicos também está atuando junto com a Defesa Civil municipal e disponibilizou cerca de 180 homens. A Secretaria da Família e Assistência Social também está em ação, atuando no cadastramento dos desalojados.
Alguns moradores estão levando seus pertences para as lajes de suas casas e permanecendo nas residências, mas Oliveira orienta que as pessoas deixem suas moradias e se direcionem para locais mais altos.
“Estamos fazendo a orientação para a população deixar as suas casas, tem gente achando que água não vai chegar, mais isso não é verdade. E existe risco de vida. Pela vazão do rio Muriaé até o dia de hoje, a previsão é que as casas sejam inundadas”, disse.
A prefeita Rosinha Garotinho (PR) sobrevoou o local e afirmou que foi cogitada a possibilidade de instalar pedras para fazer a contenção da água, mas foi constatado que a ação seria inviável. "Tecnicamente, isso não é possível de ser feito diretamente na BR-356. Ficou constatado que a estrada não vai suportar o peso de um caminhão carregado de pedras. A solução é mesmo retirar as pessoas de lá", disse. “As pessoas estão indo para abrigos. Vamos montar uma estrutura no Alto do Morro, localidade vizinha, para atender aos moradores de Três Vendas”, completou a prefeita.
Mais cedo, o governo estadual liberou R$ 350 mil para oito municípios atingidos pelas chuvas. Já o Ministério da Saúde enviará 4 toneladas de medicamentos a municípios afetadospelas enchentes.
 
 
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