| Domésticas são reserva subutilizada de trabalho, diz Mantega |
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| Escrito por BBC |
![]() O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira que a economia brasileira possui uma reserva de trabalhadores que está sendo subutilizada, e que está começando a preencher os empregos que estão sendo gerados pelo aquecimento da economia no país. Como exemplo, Mantega citou as empregadas domésticas, que, segundo ele, não fazem parte direta do setor produtivo da economia brasileira.
'Nós estamos absorvendo uma parte do mercado de trabalho que estava sendo subutilizada. Isso é uma novidade no Brasil', disse Mantega a jornalistas em Londres.
'O Brasil possui trabalhadores que não estão diretamente envolvidos na produção. Por exemplo, as empregadas domésticas são algo que quase não existe mais nos países avançados, e é uma reserva de trabalho que o Brasil tem.'
'Hoje você tem um deslocamento desses segmentos de trabalhadores que não estão diretamente na área produtiva e que estão indo para a área produtiva.'
Para Mantega, o fato de o Brasil possuir uma reserva de trabalhadores capaz de atender a demanda do setor produtivo é uma 'virtude e não um defeito'.
De acordo com o ministro, o Brasil e outras economias emergentes se distinguem dos países avançados, que estão crescendo lentamente e com altos índices de desemprego.
'Quente, não aquecido'
O ministro da Fazenda esteve em Londres nesta terça-feira onde fez um seminário para investidores. Na exposição, Mantega argumentou que a economia brasileira está crescendo em um ritmo 'ajustado' - próximo de 5% - e não mais em um patamar superaquecido, acima de 7%.
O risco de crescer em um ritmo superaquecido é a volta da inflação, que prejudica o poder aquisitivo da população. Mas, segundo Mantega, a inflação está caindo 'em todos os indicadores', com destaque para preços de alimentos e combustíveis.
'Não é correto dizer que a economia brasileira está superaquecida. A economia brasileira é quente, ela não é aquecida', disse Mantega. 'Não há bolhas, nem de crédito e nem no mercado de capitais.'
O ministro disse que o desafio do governo agora é aumentar a produtividade e a eficiência da economia e reduzir os custos de infra-estrutura e energia elétrica. Mantega citou dois objetivos específicos do governo: reduzir os custos de trabalho - diminuindo os tributos cobrados na folha de pagamentos dos trabalhadores - e modernizar o ICMS - 'um tributo estadual que atrapalha a produção'.
Mantega disse que o governo federal está negociando com os governos estaduais uma forma de alterar o ICMS e prometeu resultados 'em breve'.
Recorde do dólar
O ministro falou também sobre o dólar, que atingiu na segunda-feira R$ 1,55, a menor cotação frente ao real desde 1999.
Mantega disse que o governo está preocupado com as políticas monetárias expansivas dos países avançados - como o programa de Quantitative Easing (QE2, na sigla em inglês), encerrado nos Estados Unidos no mês passado.
Os países industrializados ainda estão crescendo em um ritmo lento, e por isso criaram programas como o QE2, que injetou US$ 600 bilhões na economia americana ao longo de oito meses.
O QE2 ajudou os Estados Unidos a retomar a crescimento, mas provocou uma desvalorização internacional do dólar.
O ministro disse que o governo brasileiro continuará adotando medidas no mercado financeiro para impedir a queda do dólar frente ao real, que está prejudicando as exportações do Brasil. No entanto, ele não deu mais detalhes sobre os planos do governo.
'Medida cambial não se anuncia, se faz', disse o ministro.
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