| Polícia Civil diz que avaria em barco pode ter causado naufrágio em Brasília |
|
| Escrito por Uol |
|
Uma avaria detectada nesta segunda-feira (23) por mergulhadores do Corpo de Bombeiros, somada ao peso de mais de 100 passageiros, pode ter sido decisiva para o naufrágio ocorrido ontem à noite no lago Paranoá, em Brasília, que matou quatro pessoas e deixou pelo menos quatro desaparecidos.
A afirmação é do delegado Advil Carvalho de Matos, do 10ª Delegacia de Polícia Civil, que investiga o acidente.
“Essa é a minha hipótese. Provavelmente isso agravou a situação”, afirmou o delegado, referindo-se ao problema em uma das estruturas que fazem a embarcação flutuar, conhecida como tubulão. Depois de ouvir cerca de dez depoimentos após o acidente, o delegado também investiga uma lancha que ajudou no resgate dos naufragados. Sobreviventes do acidente se contradisseram a respeito de um suposto impacto entre as duas embarcações.
“A lancha está cheia de sangue e de coletes salva-vidas, mas nenhum choque foi comprovado”, disse Matos. Amanhã, o delegado espera ouvir a organizadora do evento, que perdeu sua irmã de 22 anos no acidente.
Os bombeiros localizaram, por volta de 18h30, o corpo de uma criança vítima do naufrágio no lago Paranoá, em Brasília, elevando para quatro o número de mortos no acidente. Minutos antes, as equipes haviam resgatado o corpo de um homem. As buscas no lago foram suspensas por volta de 18h50, por causa da baixa luminosidade, em uma área de cerca de 85 metros, e serão retomadas amanhã, às 6h. O barco está inclinado a 17 metros de profundidade.
A falha no tubulão foi descoberta por um mergulhador do Corpo de Bombeiros. De acordo com a corporação, o comandante do barco não teria como saber do problema e a falha não seria decisiva para o acidente.
O delegado fluvial de Brasília, comandante da Marinha Rogério Leite, afirmou que a embarcação passou por uma vistoria em novembro do ano passado e que nenhuma falha foi detectada. A embarcação passaria por outra revisão até o fim deste ano. O delegado afirmou que uma perícia será feita pela Marinha para produzir um relatório com prazo de três meses. Depois disso, o documento será enviado ao Tribunal Marítimo, que poderá multar ou retirar a licença dos operadores do barco.
Segundo Leite, entre 1.600 e 2.000 embarcações utilizam o lago Paranoá para navegação. Ele afirmou que a Marinha estuda ampliar a fiscalização na região com mais homens e barcos. No momento em que aconteceu o acidente, havia quatro homens de plantão em um lago que tem 48 km de extensão.
Sobre as causas do acidente, o comandante evitou culpar o excesso de passageiros. A embarcação tinha licença para operar com 90 passageiros e dois tripulantes, mas o Corpo de Bombeiros diz que pelo menos 104 pessoas estavam a bordo. "Colocar cinco ou seis pessoas a mais não quer dizer que haveria um naufrágio", disse. "Além disso, é preciso ter certeza de que era esse o número de pessoas que estavam lá.
A Marinha informou que o certificado de navegação renovado pelo barco em novembro foi feito após uma vistoria de uma empresa de Manaus. Ainda de acordo com a Marinha, chegam a Brasília ainda nesta segunda-feira dois peritos do Rio de Janeiro que ajudarão a Polícia Civil do Distrito Federal a continuar as investigações.
UOL |