| "Senhor das Armas" nega envolvimento com milícias da zona oeste do Rio |
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| Escrito por BOL |
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Em audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o tráfico de armas no Rio de Janeiro, o ex-assessor parlamentar Evaristo da Silva Alves, conhecido como “Senhor das Armas”, preso e denunciado no último mês por fornecimento de armas aos milicianos de Jacarepaguá, afirmou nesta segunda-feira (15) que não tem ligações com o grupo paramilitar que domina o bairro da zona oeste da capital fluminense. A sessão ocorreu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Alves negou que tenha passagens pela polícia, informação que não condiz com a versão da Polícia Civil, segundo o presidente da CPI, o deputado Marcelo Freixo (PSOL). O acusado argumenta que as denúncias de envolvimento com milicianos são uma represália por conta de uma briga durante uma festa junina realizada em Jacarepaguá. Ele se negou a falar em sessão reservada com os integrantes da comissão. Segundo o ex-assessor parlamentar, ele e outras 12 pessoas detidas durante a operação Tríade - desencadeada pela Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado) no mês passado -, cujos nomes não foram informados, são inocentes.
Freixo entende que a versão do acusado não tem “o mínimo de precisão em suas informações”. De acordo com o parlamentar, Alves entrou em contradição em vários pontos de questionamento, principalmente quanto às supostas atividades de milicianos em um sítio do Vale da Pedra Branca, em Jacarepaguá.
O ex-assessor afirmou desconhecer a atuação de criminosos no Vale da Pedra Branca, mas admitiu ter ido ao local em duas oportunidades com o objetivo de visitar o delegado da Polícia Federal Luiz Carlos da Silva, apontado como um dos chefes da quadrilha - os demais são o comissário da Polícia Civil Eduardo Lopes Moreira e o policial militar Thiago Rodrigues Pacheco. Os três foram presos na operação Tríade.
Além do envolvimento com milícias da zona oeste, a CPI investiga se Alves forneceu armas para um grupo de extermínio comandado por policiais civis e militares, descoberto após a operação Guilhotina -- deflagrada em fevereiro deste ano e que derrubou o ex-chefe e o ex-subchefe da Polícia Civil, Allan Turnowski e Carlos Oliveira, respectivamente.
Os matadores de aluguel estão envolvidos em pelo menos sete mortes, de acordo com a Polícia Federal, entre as quais a do ex-deputado estadual Ary Brum, em 2007.
Alves disse apenas que o ex-parlamentar conseguiu o emprego que ocupava na época (assessor da Secretaria Estadual de Governo) por intermédio do ex-prefeito de Itaboraí Cosme Salles, e que a execução teria sido encomendada por um empresário.
Segundo o relatório da Polícia Federal e do Ministério Público que liga policiais presos na Operação Guilhotina a crimes cometidos no Rio, o grupo que assassinou Ary Brum era liderado por Roberto Luís Dias de Oliveira, o Beto Cachorro.
O ex-assessor parlamentar já trabalhou por duas vezes na Assembleia Legislativa do Rio - no gabinete de Cosme Salles, que fora eleito deputado estadual em 1997, e na Procuradoria-Geral, entre 2004 e 2006.
Ele também já ocupou cargos na Receita Federal, na empresa Brasif, além de ter sido dono de um quiosque no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio, e motorista particular de um auditor fiscal, cujo nome não foi revelado.
Na Alerj, Alves ganhava cerca de R$ 1.300 brutos. Segundo as investigações da Draco e do Grupo Especial de Combate ao Crime organizado (Gaeco) do MP, a milícia para a qual ele fornecia armas, que teve outros 15 indiciados na Operação Tríade, funcionava desde 1998 e faturava R$ 200 mil por mês.
Os milicianos loteavam terrenos, exploravam caça-níqueis, cobravam diversas “taxas” aos moradores e comerciantes da região, e também são acusados de homicídios e estupros. |