| Tribunal do Júri absolve policial acusado de matar menino João Roberto no Rio |
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| Escrito por BOL |
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O ex-policial militar Elias Gonçalves da Costa Neto foi absolvido, na noite desta quinta-feira (24), no Rio de Janeiro, pela morte do menino João Roberto Amorim Soares, ocorrida em 2008. A decisão é do 2º Tribunal do Júri do Rio.
O crime aconteceu na Tijuca, na zona norte da capital fluminense. Dois policiais fizeram 17 disparos contra o carro onde o menino, de 3 anos, estava com a mãe e o irmão mais novo, de 9 meses. João Roberto foi morto ao ser atingido por um tiro na nuca.
Os policiais militares disseram que confundiram o veículo com outro que estava sendo perseguido.
Durante todo o julgamento de hoje, o policial negou as acusações e disse que deu apenas um tiro em direção ao chão.
Em julgamento ocorrido em 2009, o outro policial envolvido no crime, William de Paula, foi absolvido pelo juiz Paulo de Oliveira Lanzellotti Baldez do crime de homicídio. Ele, no entanto, recebeu uma pena de sete meses de prisão por lesão corporal leve contra a mãe de João Roberto, Alessandra Amorim Soares, e o irmão. O Ministério Público recorreu e o ex-militar deve ser julgado novamente pela Justiça.
“A mãe, na ocasião do crime, deu passagem a patrulha da polícia. Entretanto, o carro parou por atrás do veículo das vítimas e disparou diversos tiros, matou o menino e causou ferimento na mãe. Não podemos deixar passar que uma mãe perdeu um filho nesse ocorrido”, disse o promotor do caso, João Abdenur, antes da sentença ser proferida.
Em entrevista coletiva dois dias depois do crime, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), chamou os policiais de "débeis mentais" e classificou a ação como uma atrocidade.
"Alvo dos tiros era o meu carro"
A mãe de João Roberto afirmou, durante julgamento do primeiro policial, que o alvo dos tiros era seu carro. "Quando entrei na rua Espírito Santo Cardoso, já na Tijuca, passou por mim um carro de cor escura em alta velocidade, que acabou batendo em outro carro que estava parado no sinal. Vi pelo retrovisor que uma viatura da polícia se aproximava também em alta velocidade", afirmou Alessandra Amorim Soares. "Então, eu liguei a seta e encostei o carro para dar passagem à polícia. Virei para trás e pedi para o João Roberto se abaixar e também me abaixei com meu outro filho, Vinicius."
"O João se levantou e perguntou 'porque, mamãe?' e eu gritei 'abaixa, abaixa', porque tinha começado a ouvir tiros, mas quando olhei para trás de novo ele já havia sido baleado", contou Alessandra. "Abri, então, a porta do lado do carona e joguei uma bolsa de criança para fora, para mostrar que havia crianças no carro, pois naquela hora eu já tinha percebido que o alvo dos tiros era o meu carro."
Alessandra afirmou ao júri que quando saiu do carro, William de Paula se aproximou perguntando "cadê o cara? Cadê o cara?". Então a mãe teria respondido que não havia "cara nenhum" e que seu filho estava baleado. |