| Dunga é demitido após acenar permanecer na seleção |
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| Escrito por Reuters |
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JOHANESBURGO (Reuters) - Horas após Dunga ter deixado aberta a possibilidade de permanência no comando da seleção brasileira apesar do fracasso na África do Sul, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi rápida e anunciou, neste domingo, que o técnico e sua comissão estão demitidos. "(A) comissão técnica da seleção brasileira está destituída. Nova comissão técnica será anunciada até o final do mês", informou a CBF em comunicado em seu site. Dunga, que depois da derrota do Brasil para a Holanda nas quartas de final do Mundial, na sexta-feira, havia indicado que seu ciclo na seleção estava encerrado após quatro anos, adotou discurso diferente ao desembarcar em Porto Alegre (RS) neste domingo. De acordo com o treinador, seu futuro na seleção seria decidido "daqui a uma semana ou duas" após conversa com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Mas a demissão do treinador, do auxiliar Jorginho e de outros integrantes do corpo técnico foi anunciada em seguida no site da confederação. "Encerrado o ciclo de trabalho que teve início em agosto de 2006, e que culminou com a eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África do Sul, a CBF comunica que está dispensada a comissão técnica da seleção brasileira", acrescentou o comunicado. Mesmo sem ter qualquer experiência como treinador, Dunga foi nomeado como técnico da seleção após a Copa do Mundo de 2006, com o objetivo de levantar o time depois da derrota para a França nas quartas de final do Mundial na Alemanha. Dunga renovou o time e conquistou a Copa América 2007 e a Copa das Confederações 2009, mas falhou em seu principal objetivo. Na Copa do Mundo da África do Sul, acabou eliminado exatamente na mesma fase que no Mundial anterior. Os jogadores e a delegação brasileira chegaram ao Brasil nesta madrugada após a derrota por 2 x 1 para a Holanda que desclassificou o time. No Rio de Janeiro, onde parte do grupo desembarcou, um grupo de torcedores aguardava no aeroporto a chegada da equipe e houve confusão na saída do volante Felipe Melo, que foi hostilizado pela expulsão na partida decisiva. Dunga, que seguiu para Porto Alegre, minimizou a eliminação e disse que teve o apoio da população apesar da derrota. "A manifestação da população demonstrou que o nosso trabalho foi bem visto. Tínhamos esse projeto de resgatar esse amor em relação à seleção. O povo viu um time que se parece com ele: trabalhador", afirmou a jornalistas. O auxiliar Jorginho e o supervisor de seleções da CBF, Américo Faria, também demitidos, haviam demonstrado esperança de permanecer na seleção. Ambos disseram que aguardavam a volta do presidente da CBF ao Brasil, após o encerramento do Mundial, para discutir o futuro. Em quase quatro anos à frente da seleção brasileira, Dunga transformou a equipe tanto dentro como fora de campo. O estilo de jogo adotado passou a ser um reflexo do Dunga jogador, priorizando a força na marcação em detrimento do futebol arte. Dessa forma o time reconquistou a liderança do ranking mundial com importantes vitórias, mas atraiu críticas tanto dentro como fora do país. Contra uma seleção holandesa que buscou o ataque, com quatro jogadores ofensivos em campo durante toda a partida, o Brasil sucumbiu no segundo tempo e acabou eliminado do Mundial. Do lado de fora das quatro linhas, Dunga impôs um regime de isolamento aos jogadores, especialmente durante o período da Copa do Mundo, que manteve a seleção afastada da torcida e da mídia. Tal comportamento, somado a um rancor que o técnico tinha da imprensa devido às críticas recebidas desde sua época de jogador, transformou o relacionamento de Dunga com os jornalistas num "confronto", como ele mesmo descrevia. Desentendimentos durante entrevistas eram frequentes. Desde a eliminação do Brasil, surgiram especulações sobre um possível retorno de Luiz Felipe Scolari ao cargo de treinador da seleção. Em recente entrevista, Felipão, que acertou com o Palmeiras, declarou que desejava encerrar sua carreira como treinador à frente de uma seleção na Copa de 2014, que será realizada no Brasil. FONTE br.reuters.com |