| Advogado quer que Bruno treine com preparadores de goleiro |
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| Escrito por Terra |
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O advogado Robson Martins Pinheiro Melo informou nesta quarta-feira que vai tentar junto à Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais (Seds-MG) autorização para que o ex-goleiro do Flamengo Bruno de Souza tenha, dentro do presídio, acompanhamento de dois profissionais ligados ao futebol.
"Estou em conversa com a secretaria, vou me reunir novamente com eles e negociar diretamente para que estes profissionais orientem o Bruno e os demais presos de bom comportamento", explicou.
O advogado disse que os preparadores de goleiros Sérgio Biônico e Marcelo Costa, que trabalharam com Bruno nas categorias de base do Atlético-MG, clube onde ele começou a carreira, já teriam se oferecido para treinar o ex-jogador do Flamengo voluntariamente.
"Eles já se doaram para esta tarefa, se colocaram à disposição. O Bruno já está treinando na penitenciária, levei para ele roupas do Flamengo que ele tinha, além de outros equipamentos para que ele faça a atividade profissional que ele sabe fazer, que é jogar futebol. A lei de execuções penais permite isso", afirmou o advogado.
Robson Martins Pinheiro Melo disse ainda que o goleiro deverá em breve ser avaliado por um médico especialista em Medicina Esportiva. "Ele está há sete meses parado, se alimentando de uma comida com poucas calorias, portanto não pode se exceder, até porque senão ele poder perder massa muscular caso treine sem um acompanhamento. Por enquanto, ele faz exercícios leves", concluiu.
O goleiro recebeu autorização da Justiça para que possa treinar durante o período de banho de sol na Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, onde está preso. O banho de sol acontece de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30 e de 10h às 12h, segundo informou a Seds-MG.
Bruno, seu amigo Luiz Henrique Ferreira Romão - o Macarrão -, seu primo Sérgio Rosa Sales e o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos - o Bola - aguardam na unidade o julgamento popular pela morte de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro, no ano passado.
Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), a autorização para que Bruno jogasse futebol foi dada pela juíza Marixa Fabiane Lopes, do Tribunal do Júri de Contagem. Bruno foi autorizado a usar bola, meiões, luvas e caneleiras. A secretaria informou que foi feita uma avaliação, que considerou não haver riscos para a segurança no presídio o uso dos equipamentos.
Liberdade negada
Na semana passada a juíza Marixa Fabiane Lopes negou mais um pedido de liberdade para o goleiro. O advogado Robson Melo disse que, na próxima semana, vai entrar junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-mG) com o pedido de liminar de habeas corpus. "Estamos confiantes que teremos uma resposta positiva", disse.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. Em 2009, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.
No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola vão a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.
TERRA
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