| Profissão original de Lula é vista com prestígio no ABC. |
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| Escrito por Gabriela Gasparin G1 |
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Salário da profissão teve aumento real de 14,6% entre 2002 e 2010. Alta foi acima do dobro da registrada no salário médio formal da região.
Durante o período dos dois governos Lula, o salário médio dos torneiros mecânicos no ABC paulista teve aumento real, acima da inflação, de 14,6%, ou 1,72% ao ano em média. O aumento é bem acima da alta do salário médio do emprego formal em geral na região, que foi de 6,1% no período, ou 0,74% ao ano. Os dados são do Departamento de Indicadores Sociais e Econômicos (Dise) da Prefeitura de Santo André. Apesar de estar sendo substituída aos poucos com a chegada de máquinas computadorizadas, a profissão original de Luiz Inácio Lula da Silva ainda é vista com prestígio na região até hoje conhecida por conta das indústrias metalúrgicas, onde ficam cidades como São Bernardo do Campo, onde Lula tem residência; e onde empresas como Ford, Volkswagen, Mercedes-Benz, Scania e Karmann Ghia mantêm unidades. “Com a forte demanda do setor automobilístico, algumas empresas disputam profissionais a tapa. Aqui na região, tem empresas que vão cooptar o trabalhador para sair de uma e ir para a outra. Há casos em que a empresa convidou ex-trabalhador aposentado para voltar”, diz Moisés Selerges Junior, diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. De acordo com o Dise de Santo André, o salário do torneiro mecânico aumentou de R$ 1.527,05 em 2002 para R$ 1.750 em 2010, em valores corrigidos. A remuneração dos metalúrgicos em geral, com alta similar, cresceu de R$ 2.494,64 há oito anos para R$ 2.858,94 atualmente. O salário médio do emprego formal no ABC subiu de R$ 1.917,24 para R$ 2.034,32 no mesmo intervalo. Os valores foram corrigidos com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE). Reconhecimento da categoria Silva fez curso de usinagem há cinco anos e sempre trabalhou como ajudante ou operador de máquina. Há três meses, conseguiu emprego de torneiro mecânico, o que considera como uma espécie de evolução na carreira. Para continuar crescendo, pretende fazer curso de ferramentaria, outra função dentro do ramo. Como iniciante, ele afirma receber aproximadamente R$ 1,2 mil por mês, mas espera receber aumento conforme adquirir experiência. “O salário, além de gostar da área, foi um dos motivos que me atraiu”, revela. “Se o Lula conseguiu virar presidente, estou estudando para ver se consigo crescer dentro da empresa" Diego Cabralino, de 21 anos Substituição Há 25 anos trabalhando como torneiro mecânico, Palmir Oliveira da Silva, de 39 anos, também de Mauá, avalia as mudanças na profissão do presidente ao longo dos anos. “Hoje existe o torno CNC, que tem que aprender a programar. O torno mecânico é mais na raça mesmo. É manual, um serviço artesanal”, avaliou. “No CNC, o torneiro só aperta o botão. No convencional, tem que ter um pouquinho de malícia”, complementa o trabalhador. O metalúrgico afirma que as brincadeiras sobre a profissão do Lula são constantes entre os colegas de trabalho. “Eu acho legal a gente ver que ele trabalhou no torno. Afinal, tenho a profissão do presidente.” Silva diz que recebe de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil e alerta os interessados sobre a evolução das linhas de montagem. “Hoje eu partiria para a programação CNC. É lógico que sempre vai ter torneiro mecânico para pequenos ajustes, mas é uma profissão antiga, vai saindo do mercado”. Curso técnico O professor explica que o curso atual contempla o aprendizado em máquinas como o torno mecânico, a fresadora, furadeiras de bancada e retificadoras. Recentemente, foi incluído o torno CNC nos últimos dois semestres do curso. “A maioria das empresas que trabalha com produção já usa a máquina CNC. Mas nas fábricas que não trabalham com peças seriadas, usa-se o torno mecânico. Ele ainda é muito usado”, avalia. Formado há três anos no curso do Senai, Diego Cabralino, de 21 anos, opera atualmente o torno CNC em uma das montadoras de São Bernardo do Campo. Ele afirma, porém, que já operou o torno mecânico. “O que eu fazia manualmente, agora eu programo”, afirma. Com salário de aproximadamente R$ 3,5 mil ao mês, o jovem reconhece o bom momento vivido pela profissão e afirma que fez muitas horas extras em 2010. De olho nas evoluções da carreira, está cursando a faculdade de engenharia mecânica. “Se o Lula conseguiu virar presidente, estou estudando para ver se consigo crescer dentro da empresa", compara. Ainda com "Lula" apenas no apelido, Luiz Inácio da Silva teve a carteira assinada pela primeira vez aos 14 anos. Logo entrou no curso de torneiro mecânico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e se tornou metalúrgico. Depois do golpe militar de 1964, passou por várias fábricas, até ingressar nas Indústrias Villares, que ficavam em São Bernardo do Campo, onde começou a ter contato com o movimento sindical. |