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Fiz o parto da minha filha E-mail
Escrito por Revista Crescer   
Conheça a história de Mariano Tamura, 38 anos, obstetra, pai de Ana Clara, 5, e Manuela, 3


  arquivo pessoal


 
“Acompanhei ativamente (como pai e como obstetra) as gestações das minhas filhas – é impossível você chegar em casa e deixar de ser médico. Na primeira gravidez, naturalmente que as primeiras queixas da minha mulher eram para mim, e, por isso, eu acabava a examinando antes mesmo de irmos ao consultório do médico da família, que escolhemos para fazer nosso pré-natal. O primeiro parto foi feito pela equipe do hospital em que trabalho. Nem cogitamos minha participação como médico. Dentro da sala de cirurgia me comportei como pai, apenas, e não interferi em nenhuma decisão – no parto da minha primeira filha, queria ser mais pai do que obstetra, mas percebi que não dá para fazer essa separação. Por isso, da segunda vez foi diferente. A minha esposa, Valéria, pediu para que eu fizesse o parto. Ela disse que se sentiria mais segura, e várias amigas nossas tinham tido os filhos comigo. Não pude negar aquele pedido tão especial.
 
Na faculdade a gente aprende que deve evitar ao máximo tratar de familiares, mas, para mim, essa é uma escolha muito pessoal. Durante toda a gestação fiquei muito tranquilo. De qualquer maneira, combinamos que, se por qualquer motivo desistíssemos da ideia de que eu deveria fazer o parto (se eu ficasse muito nervoso, por exemplo), ninguém ia ter ressentimentos.
 
No dia do nascimento da nossa filha, Valéria acordou sentindo contrações e eu a examinei em casa mesmo. Liguei para a minha equipe e fomos direto para o hospital. A ideia era tentar mais uma vez o parto normal, já que na primeira gravidez tivemos de fazer uma cesárea porque, apesar da dilatação de oito centímetros, a bebê não descia. Dessa vez, com cinco centímetros de dilatação, a bebê fez cocô na barriga dela. Quando isso acontece, o bebê pode aspirar as fezes e ter pneumonia. Por isso optei pelo parto cirúrgico.
 
Tive que passar bastante tranquilidade para a minha esposa, contar que era preciso desistir novamente do parto normal e fazer uma cirurgia. Na cesárea, descobrimos que havia um nó verdadeiro do cordão umbilical, que é quando há três, quatro, cinco voltas ao redor do pescoço do bebê e isso traz riscos (é comum crianças nascerem com até duas voltas do cordão, não é perigoso nem impossibilita o parto normal).
 
Ao contrário de muitos pais que se sentem nervosos ou mais ansiosos no dia do parto, eu permaneci bastante seguro e completamente concentrado. Senti um senso de responsabilidade muito grande naquele momento, e precisava mesmo daquilo para poder tomar as melhores decisões médicas. É como quando você recebe uma notícia preocupante: você se segura e, depois, desmonta. Foi o que aconteceu comigo.
 
Minha cunhada, Luciana, que entrou como acompanhante da Valéria, fez a vez de ‘pai’ também. Afinal, eu precisava finalizar a cirurgia. Foi ela quem carregou a nossa filha e entregou para a minha mulher e, depois, levou no vidro do centro cirúrgico para mostrar à nossa família. Quando terminei o parto, fiquei bastante emocionado e fui abraçar a minha esposa.
 
Não tem como comparar essa experiência com o parto da minha primeira filha – cada criança é diferente. A emoção da Ana Clara foi de pai de primeira viagem, já a da Manu foi de estar diretamente envolvido. Tenho certeza de que, se engravidássemos pela terceira vez, eu faria o parto de novo.”
 
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Envie para CRESCER, coloque nome e endereço completos, o número do seu telefone e fotos da sua família em alta resolução, com 300 dpi e medindo pelo menos 15x20 cm. Escreva no campo destinado ao assunto “histórias de parto”. E-mail: crescer@edglobo.com.br  
 
Assunto:

kids fiz o parto da minha filha

Tema:

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Tags:
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