| Mudança no Código Florestal ameaça liderança do Brasil, diz Marina Silva |
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| Escrito por BBC |
![]() A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou nesta quarta-feira em Durban, na África do Sul, que a aprovação pelo Senado de mudanças no Código Florestal ameaça o compromisso assumido internacionalmente pelo Brasil de reduzir emissões de gases do efeito estufa. Para Marina, o novo texto também enfraquece a liderança brasileira nas negociações sobre REDD - um mecanismo internacional para reduzir emissões causadas por desmatamento - que vêm progredindo na reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas em Durban.
'O Brasil é referência para outros países florestais, como Papua Nova Guiné, Malásia, Indonésia, e REDD tem a ver com esforços e resultados alcançados. Se isso fica enfraquecido, acaba tirando de certa forma a nossa posição de liderança', afirmou Marina, acrescentando esperar que a presidente Dilma Rousseff 'cumpra sua promessa de campanha' e vete 'dispositivos que levem ao desmatamento'.
Para a ex-senadora, as mudanças na lei que serviu de base para as ações que resultaram na redução de quase 80% do desmatamento nos últimos anos vão levar a um aumento no desmate, porque o texto, segundo ela, 'reduz a proteção da floresta, anistia desmatadores e pode aumentar o desmatamento por causa da suspensão da cobrança de multas e de autuações em ocupações ilegais realizadas até julho de 2008'.
Ruralistas e ambientalistas
Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) elogiou as mudanças, afirmando que o novo texto põe o Brasil no rumo certo para produzir alimentos para o mundo ao mesmo tempo que 'preserva as florestas e biodiversidade'.
'O novo Código Florestal vai corrigir distorções feitas na lei antiga, para que no futuro o meio ambiente e a indústria agricultora possam trabalhar de mãos dadas por um Brasil melhor', afirmou a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu.
A representante dos ruralistas também destaca a importância de o texto ter sido aprovado pela Câmara e pelo Senado, 'sendo resultado do consenso democrático'.
Para organizações ambientalistas, entretanto, a aprovação do texto é um retrocesso.
O diretor-geral do WWF, Jim Leape, afirmou que os holofotes agora estão voltados para a presidente Dilma Roussef, na expectativa de um veto presidencial.
'O enorme desmatamento que pode ser consequência dessas mudanças seria uma tragédia para o Brasil e para o mundo.'
O Greenpeace também apelou por um veto presidencial e classificou o novo texto de 'convite para tratores e motosserras voltarem à floresta'.
Presente no Senado ao fim da votação, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse nessa terça-feira que o novo Código Florestal é um avanço, mas admitiu que o governo precisará encontrar novas formas para coibir o desmatamento e promover o reflorestamento.
'Mais do que fiscalização, (o código) promove um maior controle social. Ele prevê, por exemplo, a suspensão do crédito para os produtores que estiverem irregulares com as questões ambientais', disse ela, segundo a Agência Brasil.
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