| OMS pede ao Paquistão para investigar suspeita de cólera |
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| Escrito por Folha |
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu ao governo do Paquistão que investigue um caso relatado de cólera no vale do Swat, no oeste do país, em meio ao temor de um surto da doença nas áreas afetadas pelas enchentes das últimas semanas. A ONU (Organização das Nações Unidas) alertou mais cedo que ao menos 3,5 milhões de crianças estão expostas a um alto risco de contaminação e doenças fatais após as enchentes. A OMS alerta que a cólera pode se espalhar rapidamente em áreas atingidas por inundações e com poucas condições de higiene. A doença, contudo, é endêmica no Paquistão e o caso em Swat pode não ter relação com um surto maior de cólera. O porta-voz Paul Garwood disse nesta segunda-feira que as regras internacionais de saúde exigem que o Paquistão investigue a denúncia e relate de volta à OMS. Cabe a Islamabad declarar se há ou não um surto de cólera. A OMS já está preparada para tratar até 140 mil pessoas em caso de um surto de cólera. Dezenas de milhares de pessoas foram infectadas com doenças de transmissão hídrica no Paquistão, desde as fortes chuvas causaram inundações em ao menos 20% do país. Segundo a ONU ao menos 3,5 milhões de crianças estão expostas a um alto risco de contaminação e doenças fatais após as enchentes. "Até 3,5 milhões de crianças estão expostas ao risco de doenças mortais relacionadas à água", disse Maurizio Giuliano, porta-voz do Escritório de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha). ELe cita como exemplo a disenteria, hepatite A e E e febre tifoide. De acordo com o Ocha, o Paquistão poderia viver uma segunda onda de mortes se não receber mais ajuda. "Nossa principal preocupação é a água e a saúde. A água potável é essencial para evitar surtos de doenças. Durante a inundação, a água ficou muito contaminada", disse Giuliano. PROTESTOS As vítimas das enchentes no Paquistão bloquearam nesta segunda-feira uma estrada, armados com paus e tochas, em um protesto contra a demora do governo em levar ajuda emergencial --água limpa, comida e abrigo-- aos afetados. Dezenas de homens e algumas mulheres tentaram bloquear as cinco faixas de uma estrada da cidade de Sukkur, uma das maiores cidades da Província de Sindh. Eles ameaçavam os motoristas com paus e tochas. "Nós deixamos nossas casas com nada e agora estamos aqui sem roupas, sem comida, e nossas crianças estão vivendo na estrada", disse um dos manifestantes, Gul Hasan. Hasan, como os outros manifestantes, foi retirado de sua vila e buscou refúgio em Sukkur. ELes estavam acampados em uma tenda improvisada de plástico do lado da estrada. Na noite de domingo, centenas de manifestantes queimaram pneus e gritaram "derrubem o governo" em um outro protesto em Kot Addu, na Província de Punjab. "Nós estamos morrendo de fome aqui. Ninguém apareceu para nos confortar", disse o manifestante Hafiz Shabbir. UM QUARTO Segundo a ONU, apenas um quarto dos US$ 459 milhões que pediu de ajuda à comunidade internacional chegou ao Paquistão. "A velocidade com a qual a situação está se deteriorando pe assustadora", disse Neva Khan, diretor da ONG Oxfam. "As comunidades precisam desesperadamente de água limpa, latrinas e suprimentos de higiene, mas os recursos disponíveis cobrem apenas uma fração do que é necessário", disse. As autoridades do Paquistão temem ainda uma piora da situação em duas represas que resistem por enquanto a pressão das águas no sudeste do país, onde continua havendo milhões de afetados. "Há uma situação difícil nas represas de Guddu e Sukkur [na Província de Sindh]. [O temor das inundações] continuará nos próximos seis ou oito dias", previu um porta-voz da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres, Ahmad Kamal. Segundo Kamal, o volume do fluxo está descendo no Punjab (leste), a região maior e mais povoada do país, após vários dias de temor pela situação de algumas grandes represas. Em alguns pontos do Paquistão, o curso do Indo, que percorre o país de norte a sul, transbordou por extensões que chegam a 30 quilômetros de largura. Segundo Kamal, o departamento de Meteorologia prediz chuvas até o próximo dia 15 de setembro. |