| Sabesp garante que tomar água que vem da rua não faz mal |
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| Escrito por Diário de S. Paulo |
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De acordo com o diretor, só é preciso ficar atento ao encanamento doméstico Aquela velha ideia de que beber água da torneira faz mal à saúde foi por água abaixo. Pelo menos é o que garante a Sabesp. Segundo André Luís Gois Rodrigues, gerente de controle de qualidade dos produtos água e esgoto da estatal, nos 366 municípios paulistas atendidos pela Sabesp, quem quiser pode beber água da torneira, sem prejuízo nenhum à saúde. Isso desde que a pessoa mantenha, dentro dos limites da sua própria residência, a água em condições de higiene. Essa manutenção diz respeito à limpeza das caixas d’água e cisternas. A Sabesp recomenda que reservatórios de até mil litros sejam limpos semestralmente, o que pode ser feito pelo próprio dono da casa. Já as caixas d’água de maior capacidade e cisternas devem passar pela limpeza uma vez por ano. Nesse caso, a Sabesp recomenda que uma empresa especializada execute o serviço. Se essas recomendações forem seguidas, a estatal garante que não há razão para temer a ingestão de água da torneira. “Eu mesmo bebo água assim. O nosso ponto de entrega é o cavalete de entrada da casa”, explicou Rodrigues, ressaltando que as limpezas periódicas garantem também a desinfecção da tubulação. O gerente comparou a qualidade da água tratada pela Sabesp à de países da Europa, como Portugal, por exemplo. A qualidade, segundo ele, é garantida por meio de análises horárias, que controlam todo o processo de tratamento e distribuição, e por meio de amostras colhidas por equipes nos pontos de distribuição. Rodrigues afirmou que são feitos cerca de 54 mil ensaios por mês, que avaliam seis tipos de itens: cor, turbidez, cloro, flúor, coliformes totais e coliformes termotolerantes, considerados os básicos. “Isso significa que, todos os meses, são colhidas cerca de nove mil amostras de água em todo o estado”, disse. Segundo o gerente da divisão de gestão de desenvolvimento operacional de recursos hídricos metropolitanos da Sabesp, Armando Flores, uma portaria do Ministério da Saúde estabelece que a atribuição da fiscalização de todo o processo é, em geral, das secretarias municipais de saúde, por meio das vigilâncias sanitárias. “Por isso, mensalmente enviamos relatórios para elas com os resultados das análises”. As prefeituras de Osasco, São Caetano, Barueri e São Bernardo do Campo informaram que recebem os relatórios da Sabesp, mas também recolhem cerca de 16 amostras de água por mês nos cavaletes e enviam para análises do Instituto Adolfo Lutz. Elas garantiram que a água dos municípios está em condições de potabilidade, mas São Caetano, Barueri e São Bernardo aconselham as pessoas a usar o filtro antes de beber por possíveis problemas nos encanamentos e caixas dos imóves. Mas se a água que vem da rua é tão limpa, por que tanta gente resiste em bebê-la? “Acredito que seja mais uma questão cultural. Já fizemos campanhas, mas mesmo assim isso ainda existe. Também tem gente que não gosta muito do gosto do cloro, e a nossa água tem um pouco desse gosto. Pode ser isso também”, arriscou Rodrigues. Prédios fazem a limpeza com mais rigor Os moradores dos 260 apartamentos do Residencial Sebastian Bah, no Jabaquara, na Zona Sul, não têm do que reclamar. A cada seis meses a administração do condomínio realiza a limpeza nos 13 reservatórios. “E mesmo fazendo a limpeza periodicamente sempre encontramos lama e sujeira no fundo das caixas”, disse o zelador Reginaldo Gomes Cavalcante, de 34 anos, há cinco no condomínio. O advogado Reinaldo Azevedo da Silva, da Azevedo Silva Administração de Condomínios, disse que a limpeza das caixas d’água faz parte da manutenção dos edifícios. SEgundo ele, os que se recusam a fazer alegam falta de dinheiro por causa da inadimplência de condôminos. Nas casas o cenário é oposto. O pintor Rubens de Oliveira, de 44 anos, disse que há dez não limpa a caixa de sua casa, em Cotia, na Grande São Paulo. O motivo é a falta de tempo e a dificuldade de realizar o serviço. A professora Esther Pretti, de 68 anos, também “esqueceu” de limpar caixa de sua casa no Jabaquara, na Zona Sul. A última vez foi no começo do ano passado. “Esqueci, mas é difícil encontrar um profissional para fazer o serviço”, disse Esther. O preço da limpeza feita por empresas privadas depende do tamanho da caixa, se é térrea ou sobrado, do dia que é realizado e do bairro. A limpeza e desinfecção de uma caixa de 500 litros, em uma casa térrea no Jabaquara, por exemplo, durante a semana, custa cerca de R$ 380. Algas são uma ameaça Segundo Silvana, os principais problemas estão em moradias sem tratamento de esgoto próximas a mananciais. Os detritos, ricos em nutrientes, acabam indo para os mananciais. Os nutrientes favorecem a proliferação de algas. Os efeitos das toxinas vão desde uma diarreia até, em casos extremos, a morte de um paciente em hemodiálise. A Sabesp rebateu as afirmações, garantiu que as toxinas são eliminadas no processo de tratamento e que informou que faz monitoramentos e análises periódicas sobre o assunto. Contaminação pode causar doenças “Mesmo que a caixa d'água esteja tampada, o ar entra e com ele leva fungos e partículas de poluição que ajudam a contaminar a água”, disse a biomédica. A água também pode ser contaminada por urina ou fezes, contendo bactérias, vírus ou germes. A lista de doenças inclui cólera, febre tifóide, leptospirose e infecções intestinais causadas por parasitas ou protozoários como giardíase ou amebíase. Os principais sintomas dessas doenças são diarreias, vômitos, dores no corpo e até febre. Fonte diariosp.com.br |